sexta-feira, 12 de abril de 2013

Quando temos que dizer adeus


        Ela acha que não é melancólica. Consegue adaptar-se facilmente à mudança. Já teve amigos que não vivem no mesmo país, já mudou de casa, já mudou de escola quando era mais nova, mudou de professores, de amigos, de rotinas. Fez todas essas transições com relativa harmonia, sem olhar demasiado para trás. 

        Saudade, palavra tão portuguesa. Sentiu-a já muitas vezes, claro, mas sempre abraçou as surpresas que a vida trouxe com optimismo. Sabe acalmar os pensamentos que não quer ter, sabe calá-los com mais ou menos dificuldade. Sabe ver "o lado bom". Sabe convencer-se que "foi melhor assim". Sabe aproveitar o melhor de cada situação. 

         Mas tudo tem momentos. Às vezes sente muita saudade, às vezes é invadida por um "e se?". Às vezes deseja com toda a força que ele lhe ligue e, quando ele liga, atende com o coração apertado e não diz nada do que queria dizer. Desliga com a sensação que o nó na garganta ficou muito mas muito maior, de uma dimensão que já não pode suportar. Desliga com a sensação que preferia ter guardado esse nó na cabeça e não ali, onde o pode sentir. Desliga com a sensação que aquilo que mais queria, afinal não lhe trouxe nada do que procurava. Sente vontade de explodir e de deitar tudo cá para fora. 

        Mas não quer nem vai, porque quer ser forte e quer voltar "ao lado bom": E aí... volta a calar os pensamentos e volta a abraçar as surpresas que o inesperado lhe trouxe. E volta a sentir-se feliz e volta a pensar no que virá aí. Nesse momento, volta para o "e agora?" e larga o "e se?", pelo menos por um tempo...


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